Janaína Brás

Cuidado tenham os aflitos. Aos afoitos, ressaca da maré.

LAVANDERIA DOS FANTASMAS

Maturidade, de Camille Claudel

[a quem afogo sou eu]

as meias usadas no baú
emporcalham todo o quarto
vira e mexe

“é o vento”
subestimo o coração,
mas ele estala

“o cheiro”, faz lembrar
“é sinal doutras criaturas”
- tímidas e renitentes

[por dentro]

dou de ombros
olho a paisagem branca
a birra. depois obedeço

uma a uma
as roupas sujas
lavo, emborco, afogo
- e quebro as unhas

[dói e faz sentido agudo a dor]

“uma por vez”, peço a ele
“todas juntas verteriam
água suja dentro do peito”

finda a tarefa, a dúvida se sustenta:
crava mais o mal súbito e instantâneo
ou, assim, aos pedaços e tão tardio?

“o que seriam os dias”
apaziguam as batidas, vitoriosas
“senão reviravoltas?”

[e respiro de novo]

Filed under: Dos meus plurais - mulher

Doses diárias

janeiro 2012
S T Q Q S S D
« dez    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Janaína Brás



Graduada em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará. Falo pelos cotovelos. Seguindo sugestões de amigos, apelo para o wordpress. Apaixonada pela vida de repórter, hiperativa, tinhosa.


Bato de frente por paixão. Não gosto de me sentir entediada, dá medo. Tenho coceira de discussão unilateral e pago pelo meu sossego. Só arredo do bate-boca quando tenho o coração tranquilo.


Gosto de estar no meio da gente e perco tempo na vida dos outros, depois escrevo. Penso na estrada 24 horas por dia. Sou de lá como quem está sempre a caminho.


O que estou lendo

2.666 - Roberto BOLAÑO >>> romance delicioso e muito extenso, com descrições primorosas dos pensamentos e das vivências dos personagens. Bolaño parece uma máquina de inventar realidades, muito embora se embase em conflitos reais do México pós-moderno.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.