[a quem afogo sou eu]
as meias usadas no baú
emporcalham todo o quarto
vira e mexe
“é o vento”
subestimo o coração,
mas ele estala
“o cheiro”, faz lembrar
“é sinal doutras criaturas”
- tímidas e renitentes
[por dentro]
dou de ombros
olho a paisagem branca
a birra. depois obedeço
uma a uma
as roupas sujas
lavo, emborco, afogo
- e quebro as unhas
[dói e faz sentido agudo a dor]
“uma por vez”, peço a ele
“todas juntas verteriam
água suja dentro do peito”
finda a tarefa, a dúvida se sustenta:
crava mais o mal súbito e instantâneo
ou, assim, aos pedaços e tão tardio?
“o que seriam os dias”
apaziguam as batidas, vitoriosas
“senão reviravoltas?”
[e respiro de novo]
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