Janaína Brás

Cuidado tenham os aflitos. Aos afoitos, ressaca da maré.

Alguém me empresta um código de ética?

Mancada

A jornalista estagiária saiu pra brincar em Aquiraz esta manhã. Surpresa boa receber uma matéria policial da mão da editora, mas não posso negar o frio na barriga. Quando cheguei ao fórum, três equipes de televisão já estavam lá. Eu nunca tinha coberto uma coletiva, então não entendo muito bem como funciona. Imaginei com meus botões que as perguntas vêm em enxurrada, e a gente vai se defendendo com pode, por isso fui nesse espírito.

Uma moça da Globo, meio abusadinha, deu um corta em mim logo de proa. Ela estava se preparando pra gravar a sonora quando eu cheguei conversando com o promotor. Sorri e continuei fazendo minhas perguntas, mas fiquei alerta, né? Não queria ser passada pra trás.

Foi aí que me precipitei. Quando a abusadinha acabou e foi embora sentei na cadeira dela e comecei meu interrogatório. Um rapaz com sotaque carioca estava no canto da sala e tinha chegado antes de mim. Passei na frente dele na maior, e ele nem disse nada. Tomei a cadeira da mão do cinegrafista e me sentei. Depois fiquei com a cena martelando na cabeça o dia inteiro.

Pena eu não ter pedido desculpas ao cara. Falando assim percebo que não dá pra ver nada de demais, mas a situação realmente foi chata. Na tentativa de me defender desses repórteres leões de chácara, mal educados e desrespeitosos, virei uma igual naquela hora. Fiquei chateada.

A ele não pedi desculpas, mas fica aqui o relato. Quem sabe serve de dica.

Filed under: Jornalismo UFC

Doses diárias

maio 2012
S T Q Q S S D
« jan    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Janaína Brás



Graduada em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará. Falo pelos cotovelos. Seguindo sugestões de amigos, apelo para o wordpress. Apaixonada pela vida de repórter, hiperativa, tinhosa.


Bato de frente por paixão. Não gosto de me sentir entediada, dá medo. Tenho coceira de discussão unilateral e pago pelo meu sossego. Só arredo do bate-boca quando tenho o coração tranquilo.


Gosto de estar no meio da gente e perco tempo na vida dos outros, depois escrevo. Penso na estrada 24 horas por dia. Sou de lá como quem está sempre a caminho.


O que estou lendo

2.666 - Roberto BOLAÑO >>> romance delicioso e muito extenso, com descrições primorosas dos pensamentos e das vivências dos personagens. Bolaño parece uma máquina de inventar realidades, muito embora se embase em conflitos reais do México pós-moderno.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.