“Mas eu conheço a solidão. Três anos de deserto me ensinaram bem seu gosto. O que me contrista não é a mocidade que se gasta numa paisagem mineral. É o pensamento de que, longe de nós, é o mundo que envelhece. As árvores formaram seus frutos, as terras deram seu trigo, as mulheres se fizeram belas. Mas a estação avança. Seria necessário voltar para lá depressa… Mas a estação avança – e estamos presos, à distância. E os bens da terra deslizam entre nossos dedos como a fina areia das dunas.”
Terra dos Homens, Saint-Exupéry
Não sabia nada de si até estar tão só. Nem entendia do outro. Até o eco da primeira risada autônoma, divertiu-se pela platéia. “Sem mais gente! Quero ouvir o coro que alegra e passa. Como alegoria do mundo todo”.
Quem fica é o ser. Essa eterna companhia de ares graves e meninos. Vinda de dentro. Só. Para perscrutar-se, silencia. Para entender-se, espelho. Para amar, solidão. Depender-se. Até o dia em que chegue o alheio e, sem tato, desfaça o equilíbrio bem nutrido.
Porque outro, invade. Porque distinto, espanta – espalha os papéis pela sala, destoa das cores do quarto, troca os móveis de lugar. Faz pouco da escolha dos quadros – é sem querer. “Seja bem vinda, tormenta. É sua a casa construída”.
Para o outro é o vivo. Mas é vivo em si. E sem um eu que lhe interesse e contente, não lhe valem os outros, não lhe podem bastar nunca. Ao deserto, um brinde.
